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Introdução à Escala N

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Responda à pergunta: você gostaria de montar uma mini-ferrovia com capacidade para realizar operações em um espaço muito pequeno e a escala HO está além das suas condições, até mesmo para um simples pátio? Se a sua resposta for sim, então você deve considerar uma escala de relativa popularidade no Brasil: a escala N.

RS-1 HO e N.

Os primeiros modelos na escala 1:160 surgiram no início da década de 60, fabricados pela Arnold, que os batizou a linha de Rapido (a britânica Lone Star lançou uma década antes uma linha de brinquedos na escala OOO 1:152, mas estes não chegaram a passar de motores a elástico). Mais tarde, a Arnold mudou o nome da linha de Rapido para N, em relação à bitola dos trilhos, de 9mm (Nine).

De lá para cá a escala ganhou muita popularidade nos EUA, sendo a segunda escolha de modelistas, contando atualmente com modelos de excelente qualidade fornecidos por fabricantes de peso, como Atlas e Kato. A possibilidade de uso de sistemas de controle digital como o DCC é outro fator de impulso à escala (vários fabricantes fornecem modelos já com os decodificadores instalados, alguns com som), que assim fica em paridade funcional com a escala HO.

Porém, a escala reserva algumas surpresas para o modelista brasileiro, pois a referência ainda é a escala HO, única fabricada por aqui e de custo mais acessível, e algumas armadilhas esperam os que se convertem ou adotam a N como segunda escala.

Lenda: você faz em N na metade do espaço de HO

A escala N é 1:160, contra 1:87 da escala HO, exatamente 54,375% do tamanho da HO. É uma diferença pequena, mas que numa maquete que era de porte médio em HO, por exemplo, com três metros de comprimento, a conversão para N excede em 13 centímetros a visão de metade do espaço e pode comprometer o projeto. Outros fatores, como raio de curvatura mínimo, podem fazer com que o projeto não seja exatamente o previsto na visão simplista.

Aspecto Visual e Fotografia

Algo não muito evidente para quem pratica HO e parte para N é que o aspecto visual a olho nu é uma coisa, em fotografia é outro. Qualquer sujeira ou imperfeição aparece com muita evidência em N. Isso vale tanto para o material rodante como cenário. Logo, se algo aparece estar bem para uma foto, é bom tirar a tal foto com máquina digital e inspecionar no computador a procura de pequenos problemas, como fiapos e outros elementos que não aparecem a primeira vista por serem muito pequenos, mas que numa foto acabam ficando destacados.

Uma foto que seria boa não fosse o fiapo no pinheiro.

Engates

O engate padrão de mercado da escala N é o Rapido, um engate não-magnético, porém de boa funcionalidade, permitindo engate e desengate razoáveis (este último manual), sendo possível retirar-se um vagão do meio da composição sem descarrilar o restante, apenas puxando-o para cima. O engate foi criado pela Arnold alemã, que permitiu que os demais fabricantes copiassem o modelo, o que ajudou na padronização do mercado e aceitação da escala.

Engate magnético a esquerda e Rapido a Direita.
Engate magnético a esquerda e Rapido a Direita.

Ainda na década de 60, a Kadee introduziu no mercado o seu engate magnético para escala N. Com a divisão da Kadee em duas empresas que deu origem à MicroTrains, esta se encarregou de continuar a produção dos engates na escala N e Z. É possível encontrar kits de conversão para todo material rodante fabricado em N (a lista pode ser obtida em http://www.microtrains.com), bem como truques e os engates para prender direto no corpo dos vagões.

Mais recentemente, alguns fabricantes tem adotado os engates magnéticos como o padrão de seus modelos, como é o caso da Atlas, que instala os engates Accumate (compatíveis com os MicroTrains) no seu material rodante mais recente. Ainda assim a escala é dominada pelo engate Rapido, porém. a médio prazo todos os fabricantes devem mudar sua produção para os magnéticos, então por mais que não se converta toda a frota agora, é importante ter em mente que alguns vagões “madrinha” serão necessários na adaptação.

Caso você esteja começando no hobby, dê preferência a comprar vagões mais recentes que venham com o engate magnético. Eles são um pouco mais caros que os vagões com engate do tipo Rapido, porém menos caros que comprar o vagão e trocar o truque. Mais barato que trocar o truque inteiro é cortar o engate Rapido e instalar um engate no corpo do vagão, mas essa solução em geral no máximo empata o custo do vagão com engate magnético de fábrica, com a desvantagem de aumentar o raio de curvatura mínimo exigido pelo vagão. Sem contar a dificuldade de se montar esse tipo de engate pelo tamanho reduzido.

Raios de Curvatura

Esse item depende do material se o material rodante for composto de locomotivas de 4 ou seis eixos, ou então por vagões muito longos (50 pés ou mais), e do tipo de engate utilizado. Um raio de 20cm (equivalente a 36cm em HO) é suficiente para a grande maioria das locomotivas de 4 eixos, e algumas de 6 (uma DASH8-44C da Bachmann passa nesse raio). O raio mínimo adotado pela indústria americana é o de 9,75” (aproximadamente 24,8cm), no qual a maioria das locomotivas fabricadas é capaz de rodar usando engates nos truques. Dependendo da locomotiva, claro, pode ser necessário um raio maior (como a DD40, que não passa em menos de 11”). Porém para um melhor resultado visual, principalmente com material rodante mais longo, quanto mais folgado o raio de curvatura, melhor o resultado. Assim, experimente com o material rodante desejado com alguns raios de curvatura para não ter problemas mais tarde.

Material longo em curva de 11

Outro problema a se levar em consideração é o tipo de engate. O raio de 24,8 cm é suficiente para a maioria das locomotivas com engate Rápido ou engates magnéticos no truque. Para engates magnéticos presos no corpo do vagão (body mounted), 11” passa a ser o padrão mínimo para evitar over-hang (quando o engate não tem jogo suficiente para fazer a curva e joga o vagão para fora). Mesmo neste raio de curvatura, considere locomotivas de 6 eixos curtas no máximo. Aparentemente um problema sério, mas o mesmo acontece com os engates do tipo Kadee para HO, temos que viver com isso.

Rampas

2,7% em N é uma rampa forte, valores maiores que esse somente são possíveis com composições curtas (6 a 7 vagões), o que não é o caso geral para todo projeto. Para constar, numa maquete com rampa de 5% e composições de 4 a 5 vagões não são problema para a maioria das locomotivas. Porém para algumas locomotivas 6 a 7 vagões fica pesado.

Locomotivas

Certamente a maior dificuldade para o modelista brasileiro, já que os modelos são todos importados e voltados para as ferrovias americanas. Na melhor das hipóteses, encontramos modelos sem pintura. Logo, é importante levar em consideração este fator quando for escolher o protótipo. As alternativas são modelar uma ferrovia americana, o que muitos torceriam o nariz, mas não deixa de ser ferreomodelismo, ou então pintar os modelos para as ferrovias nacionais.

RDC Kato.

Nesta alternativa, existem diversos modelos que podem satisfazer o modelista. A Atlas fornece entre as suas locomotivas as clássicas RS-1 e RS-3, que rodaram na Central, além da GP-7, que pode ser convertida em FEPASA. A Kato fornece a SD40-2 (RFFSA,MRS e ALL), PA (FEPASA), RDC Budd que rodou na Central e uma Mikado. A Life-Like produz uma boa réplica da FA-1, além de termos a C30-7 da Atlas (RFFSA, Cutrale, ALL, etc).

Vagões e Carros de Passageiro

Similar ao item anterior. O melhor é procurar um catálogo ilustrado como o da Walthers, a verdadeira bíblia do ferreomodelismo importado, e verificar de acordo com o que você pretende modelar quais modelos utilizar. Por exemplo, para uma ferrovia que serve uma indústria de farinha, hoppers para entregar os grãos e fechados para levar o produto final são suficientes. Vale o aviso que o mais provável é que seja mais fácil reproduzir vagões brasileiros de bitola larga com o material disponível em N.

Carro de passageiro Budd.

Carro de passageiro Budd.

Carros de passageiro tem como opção mais certeira os carros Budd, que rodaram na Central/RFFSA. Alguns outros modelos até passam por carros antigos, porém com uma certa licença poética. Novamente, vale uma inspeção visual para comparar o modelo com o protótipo. A Roundhouse fabrica alguns carros de madeira que batem com alguns protótipos brasileiros.

Considerações Finais

DASH8 freelance da EFQN.

A escala N oferece boas opções, mas certamente se dá melhor quem modela uma ferrovia estrangeira, já que o material disponível é voltado para elas. Quem se aventurar com ferrovias free lance, com pintura própria, a escala oferece todas as vantagens e nenhuma restrição, já que o que aparecer pela frente é válido, desde que dentro de um certo contexto. Já para os mais puristas, que torcem o nariz para uma maquete que possua material rodante não compatível com a ferrovia brasileira modelada, a escala não é uma alternativa viável, já que as licenças poéticas são praticamente obrigatórias.

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Tags: escala n | freelance | introdução

Última atualização em Sex, 14 de Janeiro de 2011 15:27  

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